quarta-feira, 8 de junho de 2011

Conteúdo 6: Era Napoleônica

Conteúdo 5: Revolução Francesa

Conteúdo 4: Revolução Americana

Conteúdo 3: Revolução Inglesa

Conteúdo 2: Iluminismo

As Origens

O Iluminismo foi um movimento intelectual que tem raízes no século 17, tendo como fortes influências sobretudo do pensamento renascentista (existente desde o final da Idade Média) e da Revolução Científica (que teria inaugurado o período que foi chamado de "Século das Luzes", que vai da segunda metade do século 17 até o fim do século 18). Grande parte dos historiadores afirma que o Iluminismo teria sido uma espécie de "filho do Renascimento", movimento com o qual partilha muitas características em comum, sendo em muitos casos ainda mais radical que o seu antecessor. Geralmente, se diz que o iluminismo teria surgido no século 17 nas regiões mais afetadas pela Reforma Protestante e pelas guerras que ela causou (principalmente na regiões da Holanda e da Inglaterra). E foi justamente na França, país de maioria católica, que o iluminismo viria a se desenvolver durante todo o século 18, e se destacar como uma corrente de pensamento importante, que marcaria de forma definitiva o pensamento das sociedades europeias, e causaria um impacto irreversível em toda a organização política e social do mundo ocidental.

          

John Locke, autor inglês considerado um dos primeiros grandes iluministas;
(1632-1704);








Características Principais


 Seguindo seu predecessor, o renascimento, o iluminismo era um movimento, onde os participantes se enxergavam como portadores de uma inovação: Algo que poderia mudar para sempre o mundo e a sociedade onde viviam.   
 Esses indivíduos chamavam a si mesmos de "filósofos" (vamos lembrar que nessa época, se entendia como filosofia todo tipo de conhecimento), e se julgavam donos da "luz do conhecimento", e que sua missão seria iluminar a partir da razão e da ciência uma sociedade ainda mergulhada na crença cega na Igreja e nas superstições da Idade Média, e oprimida, vivendo na ignorância e na miséria, por culpa de um sistema ultrapassado que era a Monarquia Absolutista. Os iluministas, a partir de suas ideias não buscavam modificar apenas a mentalidade das pessoas, mas também mudar de uma forma significativa toda a organização da sociedade onde viviam.
 Para romper de vez com a tirania e a ignorância que acreditavam reinar sobre o mundo europeu, os iluministas defendiam uma série de ideais conflitantes com os valores de sua época, e que pregavam profundas mudanças no modo de vida do homem ocidental. Dentre esses muitos valores, podemos citar alguns como principais:


Racionalismo: É uma filosofia que entende o conhecimento como fruto direto da razão, e despreza os dogmas ("verdades" que não podem ser negadas) expressos pelo catolicismo ou qualquer crença religiosa. Valoriza o conhecimento que não é religioso, ou baseado na fé, mas sim concreto e material.
                                               
              A Razão pintada como uma "Deusa", por Denis Raffet (1840)


Empirismo: Esse era um dos valores pregados já nos tempos do Renascimento, e foi levado de forma mais radical pelo iluminismo. A palavra "empirismo", vem do grego "empeiría", que significa "experiência", e é o termo que define a forma de pensamento que entende a experiência como a grande fonte da razão. Ao contrário da ideia medieval que valoriza a fé daquele indivíduo que "crê sem ter visto ou tocado", o empirismo se baseia na investigação da natureza para comprovar os fatos, e chamá-los de ciência. É o "ver para crer", onde o cientista é como um grande "detetive" que deve buscar na natureza as "provas" para suas teorias.


Naturalismo: Assim como os renascentistas, os filósofos do iluminismo também acreditavam que a natureza (sempre entendida como obra de Deus) era a fonte de todas as descobertas, e que a missão do homem, como único ser dotado de razão por Deus, seria explorá-la, e retirar dela o conhecimento. Esse princípio foi utilizado por um grande número de viajantes do século XVIII, que percorreram o mundo pesquisando principalmente sobre a fauna e a flora.


Cientificismo: Nenhum movimento antes do iluminismo deu tanta importância à ideia de conhecimento a partir da ciência. Para os iluministas, "a ciência" poderia ser interpretada como a junção dos conhecimentos


Tolerância Religiosa: É o princípio pelo qual todo homem tem o direito a praticar suas crenças, independentemente daquilo no que acredita. Condena as perseguições religiosas, que causaram muitas mortes na Europa durante os séculos 16 e 17, e é o valor básico do chamado laicismo, que é a ideia de que as leis das sociedade não devem ser determinadas por princípios de religião, quaisquer que sejam. O filósofo Voltaire foi um grande defensor desse ideal, e um crítico feroz do poder dado à Igreja Católica na França do seu tempo.


                                        
François Marie Arouet (1694-1778), mais conhecido como Voltaire foi o maior crítico da Igreja Católica no seu tempo, chegando a dizer certa vez que "os homens só serão livres quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre". Apesar da sua postura agressiva, não era ateu, dizia que "Se Deus não existisse, precisaria ser inventado". Voltaire também foi um famoso defensor da liberdade de expressão, e em outra de suas famosas frases disse: "Posso não concordar com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo".


Liberdade de Expressão: Princípio defendido por vários filósofos do iluminismo, que prega que todo o indivíduo deve ser livre para expressar suas opiniões. Vale lembrar que na época em que viveram os iluministas, qualquer coisa que fosse publicada ou dita em público estava sujeita a censura tanto por parte do Estado quanto, nos países católicos, também da Igreja Católica. Aqueles que tivessem opiniões contrárias à Igreja ou ao Rei poderiam ser condenados à prisão, ser torturados ou até mesmo mortos. Voltaire foi o mais importante defensor da liberdade de expressão.


                               
         O Index Librorum Prohibitorum (em latim "Índice dos Livros Proibidos") era uma lista de livros proibidos pelo Vaticano (sede da Igreja Católica) nos países católicos desde o ano 1559, usada para combater a Reforma Protestante. Durante quase trezentos anos, muitos autores chegaram até mesmo a ser condenados a morrer na fogueira.


Liberalismo: Nos séculos 17 e 18, a economia dos países europeus ainda se encontrava sob rígido controle do Estado. O sistema colonial, baseado no mercantilismo, sofria uma severa intervenção da metrópole (cidade principal, de onde o rei e a corte governam e tomam decisões que afetam todo o reino), o que afetava muito os lucros conseguidos pelos comerciantes  das colônias (a colônia ficava à margem do reino, e era geralmente um território de além-mar administrado diretamente pelo rei, que governava da Europa, ou também por nobres que para lá eram mandados como representantes da coroa. Um exemplo desse sistema, era o Brasil, que nessa época era governado por um vice-rei escolhido em Lisboa pelo rei de Portugal). Os liberais, portanto, defendiam a não-intervenção do Estado na economia, fazendo com que a economia fosse controlada pelo movimento natural do comércio internacional (lei da oferta e procura: Diz que o mercado e os preços são regulados basicamente pela relação da disponibilidade de um produto no mercado com o número de pessoas que querem comprá-lo). Os primeiros defensores significativos do liberalismo econômico foram os chamados fisiocratas (fisiocracia vem do grego: "Governo da Natureza"), acreditavam que o mercado deveria funcionar "naturalmente", sem a intervenção do poder estatal, que tomava medidas protecionistas (protecionismo é o nome dado à prática comum de se aplicar maiores taxas e impostos a produtos vindos de outros países para desfavorecê-los na concorrência com os produtos nacionais, o que acabava gerando a alta de preços e a piora na qualidade dos produtos por conta da falta de concorrência). Foram os fisiocratas que usaram pela primeira vez o famoso lema do liberalismo: "Laissez faire, laissez aller, laissez passer", que em francês significa "Deixar fazer, deixar ir, e deixar passar". Ao longo do século 18, o liberalismo econômico foi ganhando bastante força principalmente na Grã-Bretanha, na Holanda e nos países que décadas mais tarde formariam a Alemanha, e mais tarde na França e no norte da Itália.

                                                       
O economista escocês Adam Smith (1723-1790) publicou no ano de 1776 seu livro A Riqueza das Nações, que é considerado por muitos estudiosos como a "Bíblia" do pensamento liberal e até mesmo do pensamento capitalista.

O Mundo Colonial no século 18:



Igualdade: Os iluministas acreditavam que todo o homem já nascem livres e iguais, então deveriam ser tratados de forma igualitária pelo Estado. Eram completamente contra os privilégios oferecidos à nobreza desde a Idade Média, e a favor da igualdade de direitos para todos os homens, independentemente de sua origem ou camada social, incluindo principalmente a defesa da extinção dos tribunais especiais, onde os nobres eram julgados com penas bem mais amenas pelos seus delitos (principalmente se o crime fosse cometido contra alguém que não tivesse nenhum título de nobreza ou não fosse da Igreja). Desse valor que surgiu o ideal da "Justiça Cega". A lei deveria ser igual para todos e todos deveriam ser iguais perante a lei. Dentro das muitas reinvidicações pela igualdade apresentadas pelos iluministas estava o fim da escravidão.


                                            
  Símbolo da Justiça, com a venda nos olhos, que representa a imparcialidade, a balança, símbolo do equilíbrio, e a espada, símbolo da severidade.


Otimismo: Chamamos de otimista todo aquele que acredita que algo tende a melhorar cada vez mais, sem voltar para trás. E assim eram, também, os iluministas, que acreditavam que a sociedade em que viviam, por mais que estivesse em um mau momento, tendia a melhorar sempre mais através da educação. É essa crença de evolução do ser humano que, mais tarde, vai dar origem à ideia de progresso, que foi muito importante nos dois séculos seguintes e, em muitos casos, é até hoje. Essa característica, porém, não era comum a todos os iluministas e gerava algumas divergências. Um exemplo de filósofo iluminista não-otimista foi o suíço Jean-Jacques Rousseau.


                                           
        Rousseau (1712-1778) não acreditava na evolução natural do homem. Pelo contrário, defendia que todos nascemos "bons" e nos "perdemos" durante a vida. É dele a famosa frase: "O homem é bom por natureza, a sociedade é quem o corrompe."


Individualismo: Diferente do que chamamos de "individualismo" nos dias de hoje, aquilo que se entendia por individualismo nos tempos do iluminismo não era nada relacionado ao egoísmo, mas sim a necessidade que os filósofos iluministas viam de proteger o indivíduo da tirania cometida pelo Estado e pelos nobres, que, segundo eles promoviam abusos contra a população.


Representatividade Política: Todos os grupos e classes deveriam ter direito à representatividade política proporcional.


 O Despotismo Esclarecido: Essa forma de governo era caraterizada principalmente pelo poder total que era dado aos governantes, exatamente como na Monarquia Absolutista. Mas se os iluministas eram contra a centralização do poder nas mãos de uma só pessoa, como suas idéias poderiam justificar esse tipo de governo? A razão é muito simples: Os governantes que ficaram conhecidos como "déspotas esclarecidos" afirmavam se inspirarem nos ideais do Iluminismo, principalmente no que diz respeito à crença no progresso de seus países através da razão, e julgavam ter a missão de praticar reformas no governo, para "modernizar" a nações, e tirá-las das "trevas" e do "atraso". Em tempos de grandes mudanças econômicas causadas pela Revolução Industrial, esse tipo de governo ganhava espaço principalmente nas nações mais pobres, ou onde a economia dependia principalmente da agricultura, sendo que a indústria ainda fosse pouco desenvolvidal, e também em Estados onde o poder público ainda estava muito vinculado às instituições religiosas (como a Igreja Católica em Portugal, na Espanha e na Áustria, e a Igreja Ortodoxa na Rússia). Os déspotas esclarecidos se julgavam os únicos capazes de tirar seus povos da "ignorância", e realizavam reformas radicais para trazer a suas nações a "luz do conhecimento". Alguns exemplos de Déspotas Esclarecidos foram:


        Frederico II, da Prússia (1712-1786) Se tornou rei da Prússia (Reino que ficava no Nordeste da Alemanha, dominando também parte da Polônia e da Lituânia, e cuja capital era Berlim) no ano de 1740. Ficou conhecido como grande amante das artes de seu tempo. Além de rei, foi compositor e poeta. Amigo pessoal de Voltaire, trouxe para sua corte em Berlim muitos cientistas e escritores.
 Frederico acreditava que só o Estado é quem sabe o que é bom para seus cidadãos, e o caminho para levá-los ao progresso e à felicidade, então o homem, para ser realmente livre, deveria cumprir, com uma disciplina rígida, as ordens do Estado. Seu governo é lembrado até os dias de hoje pelo forte caráter militar. Frederico, O Grande (como veio a ser conhecido depois), fez do exército prussiano um dos maiores da Europa, e de seu país, que antes era mais um tímido estado germânico, uma das maiores potências políticas do continente. Seu exército venceu três guerras, sendo a mais importante a Guerra dos Sete Anos (onde a Prússia, com ajuda dos ingleses, derrotou ao mesmo tempo a Áustria, a França e a Rússia). No ano de sua morte (1786), Frederico tinha feito a Prússia dobrar de tamanho, devido à conquista da Silésia e da Pomerânia (oeste da Polônia) e da Saxônia (Alemanha Central), e mais do que triplicar de população. É lembrado como um dos maiores comandantes militares da História.


                                               
            Catarina II, da Rússia (1729-1796) Apesar de ter sido czarina (imperatriz) da Rússia durante 34 anos, Catarina era alemã, e foi batizada com o nome de Sofia Augusta Frederica von Anhalt-Zerbst. Filha de um príncipe e general prussiano, teve uma educação privilegiada, e aos 14 anos se mudou para a Rússia, onde teve que se casar com o príncipe-herdeiro Pedro dois anos depois. Seu marido, mais tarde (1762), seria proclamado imperador da Rússia, com o nome de Pedro III, e ficaria conhecido por ser um governante péssimo, pouco inteligente e muito imaturo, que, diz-se, preferia ficar no quarto brincando com soldadinhos de chumbo a governar o país. O reinado de Pedro III, porém, durou muito pouco, pois ele veio a falecer menos de 6 meses depois (suspeita-se até hoje que tenha sido envenenado). Apesar de haverem outros pretendentes ao trono, como o príncipe Ivan VI, de 22 anos, Catarina tinha o apoio das Guardas Imperiais, que assassinaram seu concorrente e asseguraram que ela, aos 33 anos, fosse coroada a nova imperatriz dos russos com o nome de Catarina II.




      
          Gustavo III, da Suécia (1746-1792)





                                                     


       José II, da Áustria (1741-1790)




   
       Carlos III, da Espanha (1716-1788)






      Marquês de Pombal (1699-1782)

Conteúdo 1: Revolução Industrial